Um ano depois de vender ramo de fertilizantes da Petrobrás, Bolsonaro fala em desabastecimento no país

Um ano depois de vender ramo de fertilizantes da Petrobrás, Bolsonaro fala em desabastecimento no país

A citação do presidente se deu um evento no Palácio do Planalto, ontem, enquanto voltava a subir o tom diante das críticas. “Vou avisar um ano antes: fertilizantes. Por questão de crise energética, a China começa a produzir menos fertilizantes. Já aumentou de preço, vai aumentar mais e vai faltar”, disse o Bolsonaro expondo sem nenhuma vergonha a dependência externa em que o Brasil se encontra quanto a necessidade de importação de um insumo básico para a agricultura.

Até agosto de 2020 a Petrobrás produzia fertilizantes nitrogenados, através das unidades localizadas nos estados da Bahia (Fafen-BA) e Sergipe (Fafen-SE). Ambas foram vendidas para a Proquigel Química. A Fafen-BA tem capacidade de produzir 1.300 toneladas de ureia por dia, além de amônia, gás carbônico e agente redutor líquido automotivo. Enquanto a Fafen-SE pode produzir até 1.800 toneladas de ureia por dia, sulfato de amônio, amônia e gás carbônico.

Também em 2020, no mês de fevereiro, o governo federal por meio da Petrobrás fechou a Fafen-PR, localizada em Araucária. Promoveu uma demissão em massa, o que provocou a maior greve da categoria petroleira dos últimos 25 anos. Meses depois o próprio governo do Paraná se viu necessitado por investir em uma unidade misturadora para fertilizantes importados.

Privatização só traz prejuízo para o Brasil

Com a postura passiva do presidente já aceitando a possível crise de desabastecimento alimentar em 2022 da qual chama de “seríssima”, sendo isso uma consequência da falta de fertilizantes no mercado internacional, o governo assume a responsabilidade da falta de planejamento que ele mesmo mergulha o país.

O Brasil com as privatizações saiu de um importante setor petroquímico e deixou o seguimento agrícola nacional na dependência importação de fertilizantes para a produção de alimentos. O que revela a desastrosa política de planejamento do governo que renega o país em detrimento aos interesses privados.

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